Testimonio

Luego de la Peregrinación a Rumania, 2026. Tomado del grupo oficial de Whatsapp de AVVeD Brasil
Ao concluir estes dias de retiro e peregrinação, percebo que não levo comigo apenas novos conhecimentos, mas, sobretudo, uma experiência que me convida a aprofundar minha relação com Jesus. Cheguei até aqui através do testemunho de Eunice e Edoardo, a quem agradeço de coração por terem sido instrumentos para que eu pudesse conhecer mais de perto esta experiência, os escritos de Vassula e a proposta da “Verdadeira Vida em Deus”. Entrei neste caminho sem saber exatamente o que encontraria, mas com o coração aberto para escutar, aprender e discernir. Ao longo destes dias, entre Missas, homilias, palestras, testemunhos e momentos de oração, fui percebendo que, por trás de tantas palavras, existia uma pergunta muito mais profunda: quanto espaço tenho realmente dado a Jesus para falar ao meu coração?

A expressão “Verdadeira Vida em Deus” foi ganhando para mim um sentido que ultrapassa simplesmente o conhecimento de uma experiência espiritual. Ela me fez pensar naquilo que significa, de fato, viver em Cristo. A verdadeira vida não está apenas em conhecer Jesus, falar sobre Ele ou buscar experiências que nos emocionem, mas em permitir que Ele transforme nosso coração e conduza nossas escolhas. É um caminho de conversão, de oração, de escuta e de intimidade com Deus. E foi justamente nesse horizonte que a questão da unidade das Igrejas ganhou uma dimensão ainda mais forte para mim. Quando Jesus reza ao Pai: “Que todos sejam um” (Jo 17,21), Ele não apresenta a unidade como uma ideia abstrata, mas como um desejo profundo do Seu próprio coração. A unidade dos cristãos nasce, antes de tudo, da nossa capacidade de voltar ao centro, que é Cristo.

Compreendi também que a unidade não significa eliminar as diferenças, uniformizar as tradições ou fazer com que todos pensem da mesma maneira. A unidade cristã exige algo muito mais profundo: reconhecer que existe um só Senhor, uma só fé em Cristo e um mesmo chamado ao amor. Como nos recorda São Paulo, “há diversidade de dons, mas um só é o Espírito; diversidade de ministérios, mas um só é o Senhor” (1Cor 12,4-5). A diversidade pode existir sem se transformar em divisão quando Cristo permanece no centro. Por isso, a busca pela unidade começa dentro de cada um de nós, quando permitimos que Jesus cure nossas resistências, nossos preconceitos e tudo aquilo que ainda nos impede de reconhecer o outro como irmão.

Ao mesmo tempo, esta experiência me ensinou a acolher aquilo que ouvi com abertura, mas também com discernimento. Como sacerdote da Igreja Católica, não posso separar uma experiência espiritual da Sagrada Escritura, da Tradição, da fé da Igreja e da vida de oração. Não quero sair destes dias com respostas prontas, nem transformar aquilo que ouvi em conclusões imediatas. Prefiro levar comigo perguntas que possam amadurecer diante de Deus. Afinal, discernir também é uma forma de oração: é colocar tudo diante de Cristo e permitir que, com o tempo, aquilo que é verdadeiro produza frutos de conversão, caridade, comunhão e santidade.

Por isso, olhando para trás, percebo que o mais importante destes dias não foi simplesmente conhecer Vassula, seus escritos ou as pessoas que fazem parte deste caminho. O mais importante foi ser novamente conduzido ao encontro com Jesus. Tudo precisa levar a Ele. Se uma experiência espiritual não nos aproxima de Cristo, não nos torna mais humildes, mais disponíveis para amar e mais dispostos a servir, então precisamos voltar ao essencial. O encontro verdadeiro com Jesus não termina quando termina um retiro ou uma peregrinação. Ele continua na vida cotidiana, nas relações, nas escolhas, na oração silenciosa e na maneira como olhamos para o irmão.

Volto para casa, portanto, com gratidão, com perguntas que ainda precisam amadurecer e com uma sede renovada de oração, escuta e intimidade com Cristo. Agradeço profundamente à Eunice e ao Edoardo por terem sido instrumentos para que eu chegasse até esta experiência e agradeço também a todos aqueles que me acolheram, partilharam comigo sua fé e sua caminhada e me fizeram sentir em casa. Levo comigo não a sensação de ter chegado a todas as respostas, mas a consciência de ter recebido um convite para continuar caminhando com esta grande família da Verdadeira Vida em Deus no Brasil e no mundo.

Neste momento percebo que o retiro parece terminar e a peregrinação parece chegar ao fim, mas aquilo que Deus começou no coração continua. Talvez seja justamente esse o sentido mais profundo de um encontro com Jesus: ele não nos permite permanecer no mesmo lugar. Ele nos chama a caminhar, a converter-nos, a amar mais e a buscar a unidade. E, no centro desse caminho, permanece a oração do próprio Cristo, que hoje desejo fazer também a minha: “Que todos sejam um”. Que Jesus, o Divino Mestre, nos ensine a ouvi-Lo, a discernir Sua vontade, a reconhecer Sua presença nos irmãos e a fazer da nossa vida um verdadeiro testemunho de Seu amor. Porque, quando o encontro com Jesus se torna caminho, a experiência deixa de ser apenas algo que vivemos e passa a ser algo que transforma aquilo que somos.

Padre Adriano, Vigário da Paróquia Nossa Senhora de Copacabana.